Afecções de pele em oncologia: a estética em prol do paciente com câncer

Muito se fala sobre os números alarmantes de novos pacientes com câncer e, diante deste cenário, novos fármacos e estratégias de tratamento são estudados e implantados mas, pouco ou quase nada se fala ou se aborda sobre os impactos que este tratamentos trazem aos pacientes na vigência do tratamento ou mesmo pós tratamento, no que diz respeito a pele e seus anexos.

Estudos mostram os impactos inestéticos que a radioterapia, as cirurgias e quimioterapia trazem aos pacientes oncológicos e, grande parte das vezes, estes não são informados sobre estes impactos e, muito menos como minimizar estes impactos inestéticos.

Hiperpigmentação, acne, envelhecimento de pele acelerado, alopecia, aspecto inestético da mama ou ausência da mesma são alguns dos impactos que estes pacientes terão decorrentes dos tratamentos, sendo eles associados ou não.

Santos et. al (2013), traz em seu estudo os aspectos inestéticos inerentes as cirurgias de retirada parcial (quandrantectomia) ou total (mastectomia). Entre estes está a cicatriz, tamanho da mama, formato da mama e cor da pele das mamas e pontua quanto impacto o aspecto inestéticos traz à qualidade de vida destas  mulheres. Sugere inclusive na conclusão de seu estudo, que os resultados inestéticos e a avaliação de qualidade de vida deveriam ser parte obrigatória do seguimento do tratamento.

Castro e Donati (2011), pontuam os efeitos dos taxanos no tegumento e seus anexos. O que se observou no estudo foi eritema, hipercromias e lâminas ungueais espessas. Já Sanches et. al (2010), relatam alopecia, tricomegalia, erupções acneiformes, edema periorbital, hidradenite, eritema acral, pústulas foliculares, queratose em áreas fotoexpostas além de reações de hipersensibilidade e xerose cutânea.

Gonzales et. al (2009), explana sobre as alterações cutâneas inestéticas  que podem piorar ou ainda, surgir durante o tratamento, sendo eles melasma, alopecia, radiodermite, dermatite seborreica, hipercromia pós quimioterapia,  hiperpigmentação pós radiodermite, entre outras. Simão et. al (2012), relata um caso de síndrome mão -pé que impactou na qualidade de vida e nas atividades de vida diária.

Com base nestes estudos e, na observação clínica diária dos pacientes oncológicos, se faz necessário para uma abordagem completa deste ser humano, os cuidados com a pele e anexos antes, durante e pós tratamento de câncer.

A atuação antes do tratamento vem com uma visão preventiva destas afecções, principalmente no que diz respeito a hidratação e anti -oxidação da pele, no peri tratamento a abordagem de cuidados com a pele, estará não somente focada nos aspectos inestéticos mas, principalmente na qualidade de vida e na manutenção das atividades de vida diária dos pacientes e ainda, na não interrupção dos mesmos por situações com possibilidades de prevenção. O pós tratamento virá com a intenção de tratar ou minimizar os efeitos que este,trouxe ao tecido tegumentar e seus anexos.

Hoje, já existem no mercado, produtos cosméticos que foram desenvolvidos especialmente para essas peles sensibilizadas e fragilizadas. Princípios ativos e bases cosméticas específicas para estas peles. Estes, podem ter um foco hidrante, anti-oxidante, anti-edematosos (associados a Drenagem Linfática Manual), anti-glicantes, vaso protetores, entre outras propriedades. Além dos cosméticos utiliza-se com propriedade e segurança, com base nas publicações atuais, o laser de baixa intensidade, LED´s, endermoterapia, vacuoterapia, criolipólise, eletrolipoforese, ultracavitação (a utilização destes últimos dependerão do estágio da doença e do tratamento), microaglhamento, entre outros recursos, podem ser utilizados.

As terapias manuais como drenagem linfática manual e massagens que contam com diversas técnicas podem e devem ser utilizadas para promoção de saúde, de bem estar e elevação da estima destes pacientes.

Dentre os tratamentos estão a limpeza de pele, a hidratação e nutrição facial, o tratamento de edema, de celulite, de gordura localizada, olheiras, rejuvenescimento facial, cicatrizes inestéticas, entre outros. Além dos tratamentos, as orientações para prevenção das afecções de pele decorrentes dos tratamentos oncológicos.

Se faz necessário a realização destes procedimentos, por um profissional que conheça amplamente o tecido tegumentar, seus anexos e a oncologia.

Podemos sim, elevar a autoestima, promover bem-estar físico e mental e contribuir absurdamente com a melhora evolutiva destes pacientes.

Antes finalizar apenas um parêntese, a abordagem do Fisioterapeuta Dermato Funcional, que atua também em Oncologia vai além dos aspectos inestéticos, esta é apenas uma das visões deste profissional que vê seu paciente de forma holística e, o enxerga como um ser humano e não apenas como uma patologia. O bem-estar, o aspecto estético e a funcionalidade, se completam.

 

Dra. Paula França
CREFITO 3/67.666- F
Fisioterapeuta Dermato Funcional
Fisioterapeuta pós graduanda em Oncologia