Dor Oncológica. Saiba mais sobre o sintoma

Segundo a IASP (International Association for the Study of Pain), dor é uma “Experiência sensitiva e emocional desagradável associada ou relacionada a lesão real ou potencial dos tecidos. Cada indivíduo aprende a utilizar esse termo através das suas experiências anteriores.”

Pensando nessa definição, temos experiências dolorosas físicas, emocionais, sociais, espirituais e psicológicas; o que nos leva a crer que a dor pode ter componentes físicos, psicológicos, sociais/emocionais e espirituais.

A dor oncológica, na maioria das vezes é crônica e, por esse perfil, o paciente muitas vezes se “acostuma” com a dor levando-o a não se queixar, causando irritabilidade, isolamento e depressão.

As causas da dor oncológica são diversas e sua intensidade vai depender do tipo de câncer, seu estadiamento e o limiar de dor do paciente. A dor, normalmente, ocorre por compressão do tumor sobre ossos, órgãos e inervações do corpo.

Alguns procedimentos, exames e tratamentos (quimioterapia e radioterapia – que podem causar estomatite e mucosite) podem ser causadores de dor. O paciente pode passar a recusar um tratamento ou exame por medo de ou já estar cansado de sentir dor.

Existem várias escalas para avaliação da dor, porém por mais abrangente que seja a escala, esta não substitui uma boa conversa e o olho-no-olho que pode trazer mais informações que qualquer escala. O mais importante é nunca negligenciar a dor.

O tratamento da dor oncológica requer o uso de medicamentos (muitas vezes opióides), mas requer a intervenção de uma equipe interdisciplinar.

Um paciente que recebe o diagnóstico de câncer já está sofrendo pelo estigma da doença. Questões importantes começam a surgir como a possibilidade de ter sua vida abreviada, situação financeira, questões espirituais (punição, esquecimento por parte de Deus, pecados, perdões…).

Há necessidade de cuidados de médico (controle medicamentoso), psicólogo (questões psicológicas), assistente social (direitos que possam auxiliar finanças, proximidade familiar…), dentista (cavidade oral), enfermeiro (cuidados gerais), nutricionista (manutenção e otimização nutricional), assistente espiritual (questões espirituais e existenciais), terapeuta ocupacional (adaptações), fisioterapeuta (reabilitação física, controle não farmacológico da dor, resgate de funcionalidade).

Quando bem cuidado, o paciente com câncer tem grandes chances de sofrer um menor impacto decorrente da dor oncológica.

 

Atenção: É permita a reprodução deste artigo desde que citada a fonte.
Autor: Dr. Rogério Adriano Abe
CREFITO 3: 12.685-F
Fisioterapeuta especialista em Fisioterapia Hospitalar pelo Hospital de Base de São José do Rio Preto, especialista em Cuidados Paliativos pelo Instituto Paliar, coordenador do Curso de Especialização em Fisioterapia em Cuidados Paliativos da Divisão de Fisioterapia do Instituto Central do HCFMUSP e responsável pela Fisioterapia do Programa de Residência em Saúde do Idoso em Cuidados Paliativos do Núcleo de Cuidados Paliativos do HCFMUSP.

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